O Agente estressor AE e o Treinamento Autógenico
para Biofeedback
Jimmy Mello e Roberto Lopes
Imagine
se você pudesse conduzir seu cérebro para que ele curasse
as suas doenças sem precisar de medição? Parece
pura ficção científica, uma tecnologia que
ainda levará anos para ser desenvolvida, não é
mesmo? Mas ao contrario do que você pensa essa técnica
já está disponível para as pessoas, inclusive
aqui no Brasil: chama-se biofeedback.
Biofeedback é um termo criado na década
de 60 por vários neurocientistas da época, que estudavam
respostas do sistema nervoso a diferentes tipos de estímulo.
O termo foi criado através da fusão de "bio"
- vida em grego - e "feedback", que significa "retroalimentar"
em inglês. Esse nome foi proposto porque os neurocientistas
concluíram que os animais, em especial os mamíferos,
possuem um sistema de modulação das suas funções,
que funciona através de uma retroalimentação.
Ou seja: os comandos feitos pelo sistema nervoso, que se convertem
em respostas funcionais do organismo, também são percebidos
pelas terminações nervosas sensitivas, gerando novos
estímulos nervosos, que podem modificar essas mesmas respostas
funcionais. Assim o nome biofeedback significa os "sistemas
de retroalimentação dos seres vivos", e particularmente
os do homem.
O corpo e o coração trabalham para adaptarem-se
a qualquer tipo de ação de uma agente estressor (AE).
Logo após uma ação do agente estressor (AE),
a resistência torna-se baixa, recobrando a sua força
gradativamente. Contudo, se a pessoa se expõe ao AE por longo
período, o trauma e cansaço tornam-se maiores, e se
por acaso, surgir um novo AE neste momento, ocorrerá uma
reação ao estresse muito maior.
Se o estresse for moderado, a reação será leve,
mas se o AE for demasiadamente grande, ou, se as medidas para a
sua resolução forem tomada de uma maneira incorreta,
a reação ao estresse será intensa, podendo
causar até alguma doença. Mas o inverso também
acontece; a exposição ao estresse contínuo,
provoca um aumento demasiado da resistência imunológica,
causando uma reação alérgica ou a Doença
Articular Reumatóide, que é uma doença que
destrói os seus próprios tecidos. Há relatos
de diminuição no tamanho do tumor ou até o
seu desaparecimento, após orientação de relaxamento
aos pacientes com câncer. Deduz-se que, o relaxamento ativou
o funcionamento do sistema imunológico e as células
Killer destruiram as células tumorais. Acreditando nesse
tipo de recuperação, vamos aprender a técnica
para o controle do estresse, é a Terapia Autogénea
foi desenvolvida no início do século XX pelo psiquiatra
e neurologista Doutor Johannes Schultz (1884-1970).
Schultz foi profundamente influenciado pela investigação
do Professor Oscar Vogt, um psiquiatra que dedicou a sua vida à
medicina psicossomática, àquilo que chamava o "problema
mente-corpo". Vogt notou que os pacientes ao praticarem exercícios
verbais simples para induzir a hipnose, relatavam um estado de bem
estar assim como sensações de peso e sensações
agradáveis de calor. Sintomas como por exemplo, dores de
cabeça, fadiga e ansiedade tinham tendência a desaparecerem.
Schultz questionou sistematicamente se seria possível
atingir um estado similar sem hipnose, dirigindo simplesmente a
atenção para sensações de peso e calor
nos membros superiores e inferiores. Descobriu que era possível
em determinadas circunstâncias, utilizando a concentração
passiva em combinação com formulas verbais simples.
Em 1932, Schultz publicou a primeira edição
da Terapia Autogénea (Treino Autogéneo) que detalhava
as aplicações clínicas das seis fórmulas
autogéneas que, ainda hoje, formam o núcleo da Terapia
Autogénea.
O
método foi introduzido em Inglaterra em 1978 e a British
Association for Autogenic Training and Therapy (BAFATT) foi fundada
em 1984 tendo sido o seu nome modificado para o actual, British
Autogenic Society (BAS), em 1999.
A Terapia Autogénea é praticada em muitos países
do mundo, em particular na Europa e no Japão.
Pesquisadores que estudam biofeedback desenvolveram
um sistema de transformação dos estímulos captados
pelos aparelhos em cores e ruídos que facilitam o paciente
a saber o momento que consegue relaxar e melhorar seus parâmetros
fisiológicos. Durante a sessão de biofeedback o médico
ainda ensina técnicas de relaxamento ao paciente e vai ajudando-o
a avançar no controle do seu estresse.
O biofeedback tem sido usado com sucesso no tratamento
de várias condições como dor crônica,
fibromialgia, hipertensão arterial, enxaqueca, epilepsia,
ansiedade, distúrbios alimentares (anorexia e bulimia), arritmias
cardíacas, descontrole de esfíncteres (incontinência
urinária ou fecal), insônia, bruxismo, cervicalgia,
alcoolismo, prisão de ventre e seqüelas neurológicas
de lesão na medula espinhal.
Assim que perceber um agente estressor gerador de um desconforto,
tente resolvê-lo antes que a reação a este estresse
torne-se maior.
Boa resolução: tentar solucionar
a situação positivamente.
1) esforçar-se para tentar resolver o problema
2) solucionar um problema por vez
3) procurar soluções conversando com outras pessoas.
Má resolução: fugir do
problema evitando pensar sobre o assunto.
1) culpar as outras pessoas pelo seu problema
2) sobrecarregar-se sem dividir o problema com outras pessoas
3) fugir para um comportamento não produtivo como: alcoolismo,
fumo, alimentação exagerada, jogos, agressão,
enclausuramento
A técnica de Treinamento
Autógenico simplificada
(1) Relaxamento muscular progressivo (Relaxar os músculos
repentinamente)
Veja a ilustração abaixo. Primeiro contraia todos
os músculos do corpo, fortemente.
Mantenha-se deste jeito por aproximadamente 20 segundos. Em seguida,
relaxe-se,
abruptamente. É importante perceber que os músculos
que estavam contraídos,
ficaram bem relaxados.

(2) Treinamento autogênico (Método
de auto-hipnose desenvolvido pelo médico psiquiatra Dr. Schulz)
Regras do exercício
Fórmula básica: respiração do tipo abdominal
(os sentimentos ficam bem calmos).
1-Sinta como que se os seus braços e pernas estivessem bem
pesados. (Começar o
treino pelo braço que mais utiliza)
2-Sinta como que se os seus braços estivessem quentes (imaginar
o local quente).
3-O coração bate serenamente.
4-A respiração está bem leve.
5-A barriga está quente.
6-A testa está fresca.
Resolução : abrir os olhos lentamente flexionando
e estendendo os braços. (não é
necessário fazê-lo antes de dormir).
(3) Imagem
Deixar gravado imagens de sua preferência: paisagem, lembrança,
cheiro, cor e
reproduzí-las na sua mente com os olhos fechados, ouvindo
silenciosamente. A imagem chegará de uma maneira agradável
e o deixará bem disposto.
(4) Música
Quando for relaxar, convém escutar uma música tranquila
para potencializar o seu
efeito. Procure uma música do seu agrado. Por exempo: música
para relaxar : Ária na Corda Sol (J.S.Bach) música
quando está depressivo : Finlândia (Sibelius) música
para animar : Dança do Sabre (Khachaturian)
Remomendamos o Cd Autogenic Training - de Claudia
Leyh, ele guia o passo a passo para a cura Autogênica. (em
inglês).

Bibliografia para leitura
Aivazyan, T. e col. (1988) Autogenic
Training in the Treatment and Secondary Prevention of Essential
Hypertension: Five Year Follow-up. Health Psychology, 7 (Suppl)
201-208.
Carruthers, M. (1985) Health Promotion
by mental and physical training. British Journal of Holistic Medicine,
1(2) pp 142-147
Kermani, K.S. (1987) Stress, emotions,
autogenic training & Aids. British Journal of Holistic Medicine,
2 pp 203-215
O'Moore, Harrison, Murphy e Carruthers
(1983) Psychosomatic aspects in idiopathic infertility: Effects
of treatment with Autogenic Training. Journal of Psychosomatic Research,
27, pp 145-151
Schultz, J & Luthe, W. (1969) Autogenic
Therapy, Vol 1-6. Grune & Stratton, New York
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